C  a  r  l  o  s  B  a  r  ã  o carlosbaraomail@gmail.com f

início
2015 - 2018
 

2010 - 2014

2005 - 2009

2000 - 2004



E S T U D O S


Lisboa, 1964. 
Estudou história da arte, design de comunicação e psicologia na Universidade de Lisboa
e no Instituto Superior de Psicologia Aplicada.



C O L E C Ç Õ E S / M U S E U S / O B R A  P Ú B L I C A

 

Banque Privée. Suíça

Burj Khalifa Building. Dubai. E.A.U. (Obra Pública)

Câmara Municipal de Leiria (Obra Pública)

Centro Cultural de Almancil. Portugal

Centro Cultural de Grindavik. Islândia

Clube Financeiro de Vigo. Espanha

Companhia de Seguros Tranquilidade. Portugal

Emmaar Internacional. Dubai. Emirados Árabes Unidos

Fundação Champalimaud. Portugal

Governo Civil de Leiria. Portugal (Obra Pública)

 Grupo Siemens. Portugal

Instituto Superior de Psicologia Aplicada

Município de Keflavik. Islândia (Obra Pública)

Museu de Arte Contemporânea Keflavik. Islândia

Museu Municipal de Coimbra. Portugal

Presidência da República da Islândia


 Vencedor do Segundo Prémio de Pintura
"
Dubai Internacional Art Symposium "
2005 (Júri Internacional)

 

 


E X P O S I Ç Õ E S  I N D I V I D U A I S

 

2018

Museu da Imagem em Movimento M.I.M.O. Leiria.(jul-set)

Galeria Arquivo. Leiria.

Galeria do ISPA (Pintura sobre papel). Lisboa.

2017

Galeria Trema. Lisboa 

Galeria do ISPA (Pintura sobre tela). Lisboa 

 2015

Edifício Banco de Portugal / C.M.Leiria

2014

Galeria Valbom. Lisboa

Museu Municipal de Coimbra. Edifício Chiado

2013

Galeria Miva, Malmö, Suécia

2012

Galeria Sete. Coimbra

2011

Galeria Valbom. Lisboa

Galeria Sete. Coimbra

Galeria Pedro Serrenho, Lisboa

Galeria Vale do Lobo. Vale do Lobo

 2010

Galeria Espaço Tranquilidade. Lisboa

2009

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2008

Academia Siemens. Lisboa

2007

Banco de Portugal / Câmara Municipal de Leiria. Leiria

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2006

Academia Siemens. Lisboa

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2005

Centro Cultural de S.Lourenço. Almancil

Paços do Castelo de Leiria. Leiria

2004

Museu de Arte Contemporânea Reykjanes. Islândia

Galeria Vale do Lobo. Vale do Lobo

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2003

Banco de Portugal / Câmara Municipal de Leiria. Leiria

Galeria Contemporarte. Leiria

Inauguração/Estádio Magalhães Pessoa. Leiria (Obra Pública)

2002

Centro Cultural de Grindavik. Islândia

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2001

Galeria Ofícios do Tempo. Lisboa

 

 


 E X P O S I Ç Õ E S   C O L E C T I V A S

 

2018

JUST LX . Feira Internacional de Arte de Lisboa. (Galeria Trema)

 ´Palácio dos Marqueses da Praia e Monforte. Estremoz.

Galeria Trema. Lisboa.

2017

Estampa / Feira de Arte de Madrid. Galeria Trema. Madrid

2016

Centro Cultural la Despenada. Villanueva de la Cãnada. Madrid. Espanha

Câmara Municipal da Corunha. Sala de Exposições. Corunha. Espanha

Galeria Amostra. Maia

Arte Fórum. Maia

2015

Galeria Valbom. Lisboa 

"L´image du Sud". Centro de Negócios de Perpignan. Perpignan. França

2012

Galeria Valbom. Lisboa

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

 2011

Arte Lisboa 2011. Galeria Valbom. Lisboa

Centro Cultural de S.Lourenço. Almancil

Galeria Valbom. Lisboa

2010

Arte Lisboa 2010, Galeria Valbom e Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Museu de Arte Contemporânea de Angra de Heroísmo

Galeria Valbom. Lisboa

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

2009

Arte Lisboa 2009. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

2008

Arte Lisboa 2008. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Galeria Olympe. Perpignan. França

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

2007

Arte Lisboa 2007. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Centro de Negócios de Perpignan. Perpignan. França

Centro Cultural de S. Lourenço. Almancil

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2006

Arte Lisboa 2006. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Museu da Cidade de Coimbra. Coimbra

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Centro Cultural S. Lourenço. Almancil

2005

Arte Lisboa 2005. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

International Art Symposium. Dubai. Emirados Árabes Unidos

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2004

Arte Lisboa 2004. Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

Galeria La Factoria Perro Verde. Madrid. Espanha

Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2003

Clube Financeiro de Vigo. Espanha

Spacio Laboratorio del Liceo Artístico. Milão. Itália

Galeria Contemporarte. Leiria

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2002

Centro Cultural de Rozzano. Milão. Itália

Celeiro da Cultura. Câmara Municipal de Borba

 2001

Galeria Pedro Serrenho. Lisboa

2000

Galeria Jean Pierre Masset. Paris. França

Fundação Glóvis Salgado. Belo Horizonte. Brasil

Palácio das Artes de Belo Horizonte. Brasil

Galeria Manuel Macedo. Belo Horizonte. Brasil

Galeria de San Ildefonso – La Granja. Segóvia. Espanha

 

 

 


P U B L I C A Ç Õ E S



Catáogo da Exposição "ME"
Galeria do ISPA
2017




Catálogo da Exposição
"Paisagem. O Elogio da Solidão"
Galeria Valbom. 2014






"
Um pintor é um homem de laboratório"
Entrevista
"Jornal de Leiria"
Elisabete Cruz (texto), Ricardo Graça (fotos)
10 Abril 2014 - pag.8 e 9

 



"Carlos Barão. Pintura"
P
r
eguiça Magazine.
Texto de Carla Alexandra Gonçalves.
Abril de 2014

 

 


 "Carlos Barão - O Parentesco das Coisas"
Rocha de Sousa In "Jornal de Letras". 29 de Junho 2011, pag. 26 

 

 


Catálogo da Exposição
"O Parentesco das Coisas"
Galeria Valbom. 2011 

 



Catálogo da Exposição
"Atenção Flutuante"

Galeria Espaço Tranquilidade. Lisboa
2010





“Carlos Barão - Escritas Remotas”.

Rocha de Sousa in "Jornal de Letras"
. 22 de Abril 2009, pág. 28 

 

 


Livro “Carlos Barão - Pintur
a

Texto
s de Hugo Dinis. 2009


Catálogo da Exposição
Modo Narrativo
Galeria Pedro Serrenho. 2009

 

 


Catálogo da Exposição.
Galeria Olympe. França. 2008

 

 


Catálogo da Exposição
Projectos
Galeria Pedro Serrenho. 2007

 

 


Livro
“Carlos Barão - Pintura”

Banco de Portugal/Departamento da Cultura da C.M. Leiria. 2007






Entrevista Antena2/R.T.P.
Programa "Molduras".  Agosto 2007

 

 



Livro "25º Aniversário C.C.S.L.
"Na Cozinha dos Artistas"
Centro Cultural de S. Lourenço, 2007.

 



Catálogo da Exposição
“Biografia de Cão”
Galeria Pedro Serrenho. Texto de José Manuel Ciria. 2006

 

 



Livro “Estádio”

Pintura e Fotografia.
2005





Catálogo da Exposição
“Patchwork”
Centro Cultural de S. Lourenço. 2005

 




Catálogo da Exposição
Reykjanes Art Museum.
Texto de Margarida Salet.
Islândia. 2004




Catálogo da Exposição
“Dinâmicas a Partir do Inevitável”

Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz
.
Texto de Augusto Carvacho
. 2004

 

 

Catálogo da Exposição
“P.K. 630,7: Madrid-Lisboa”

Galeria Factoria Perro Verde/Galeria Pedro Serrenho.

Textos de Augusto Carvacho e Marta de Catalina Blasco. 2004

 




Catálogo da Exposição
“Inventário de Dias Felizes” .
Galeria Pedro Serrenho.
Texto de Gil Maia. 2004





Catálogo da Exposição "Andamento".
Inauguração da Galeria Contemporarte. Leiria. 2010




Catálogo da Exposição
“Encontros em Vigo”

Clube Financeiro de Vigo. 2003

 




Livro “Relicário”
Câmara Municipal de Leiria. 2003

 




Catálogo da Exposição
“Quase Tudo Sobre Rodas” 

Galeria Pedro Serrenho. 
Texto de Constança Metello de Seixas. 2002
 

 



Livro
"Europa: identitá e linguaggio a confronto"
Edição Comissão Europeia, Programa Cultura 2000. 2002




Catálogo da Exposição
Inauguração da Galeria Pedro SerrenhoLisboa. 2001






Livro “Leiria / Belo-Horizonte. Um Encontro de Culturas”
 Textos de Mário Soares, José Aparecido de Oliveira, Carlos André,
Ângelo Oswaldo Santos, Isabel Damasceno.
Galeria 57. 2000

 




Textos



O que vê e sente o artista da sua própria obra?

Nesta série de trabalhos, Carlos Barão posiciona-se como observador que sai de dentro da tela e se perspectiva do lado de fora, tornando este gesto como uma projecção no contemplador recriador. É este caminho que desvela, deixando de ser o quadro o próprio quadro, tornando-se este um pronome, "Me". Desta forma experimenta outras peles, outras perspectivas, descentrando-se do que o condiciona, abrindo espaços, de um outro olhar e outra criação. Denota-se o constante esforço de se ultrapassar, de criar recriando-se, de questionar, perspectivando um novo ângulo no olhar sobre si. Despe-se do acrílico, da tela, da forma, da cor que nos agarra e nos molda. É desta forma o criador às suas próprias mãos. O que sinto eu quando me vejo? Quem sou eu? O que está pressuposto é a ideia de que no momento em que nos distanciamos, abarcando o nós e os outros, abarcamos uma realidade maior.

Apesar de toda a liberdade expressa na produção da obra, podemos referir que houve um ponto de partida para a maior parte desta série de trabalhos. De forma muito pessoal e não isenta da contemporaneidade que vivemos, Carlos Barão fez uma leitura da série de gravuras produzidas por Goya no século XVIII com o nome de Los Caprichos, onde é ilustrada uma forte sátira da sociedade espanhola de então. A partir deste “gatilho”, todo um universo se foi revelando na tela, como uma viagem a um passado feito presente.

A visão de quem escreve este texto é, por seu turno, o resultado de uma viajem ao universo de Carlos Barão, numa tentativa de agarrar a obra e o autor por dentro, inteirando-se da sua verdade espontânea. É uma visão parcelar, contudo, singular, já que parte da premissa dada pelo artista de que a "Arte é a comunicação entre o inconsciente de quem a produz e o inconsciente de quem dela usufrui".

Longe de facilitismos e de se deixar condicionar por aspectos do expectável, Carlos Barão ousa expor, à vista de todos, o seu ser, consigo e na relação com os outros, rompendo com um contexto histórico-cultural previsível, transformado em Arte. Como nos diz o autor,  "só existe beleza na relação com o afecto" -  e esta beleza existe na verdade mais pura que o encerra e que é ofertada em cada uma das suas obras. Não se deixando encerrar no que outros artistas criam, traz-nos uma linguagem nova, ainda que plural pois os seus quadros são constatações de evidências do mundo que o rodeiam e rupturas constantes que consolidam uma identidade muito própria. Navegamos entre a racionalidade e a pura manifestação do inconsciente liberto.

O processo criativo do autor não passa nem por esboços, nem planos pré-definidos, não se deixando condicionar pelo seu próprio percurso, evitando assim a previsibilidade e fornecendo terreno fértil ao aparecimento do imprevisto. Esta liberdade, que impera, fica perto da espontaneidade, trazendo com ela a própria surpresa e deslumbramento, posicionando o artista numa perspectiva oscilante e constante entre a realização e o usufruto da sua própria obra. Um quadro não desfaz o outro, sendo antes um puzzle de uma obra única que se impõe. São faces de um percurso evidente de transformação pessoal que se manifesta em cores constantes: o vermelho e o preto, gestos claros de libertação, de rompimento com o pré-estabelecido, mais ou menos controlado consoante a obra exposta. Ao nosso olhar, condicionado por aspectos perceptivos, é-nos feito o desafio para oscilarmos entre diferentes dimensões e planos, entrando na obra e nas problemáticas expostas. Estas obras podem igualmente ser vistas de dentro para fora, centrando-nos no mais distante e tentando compreender que ruptura realiza o artista. Que perguntas nos traz? Que respostas nos induz?  

Finalmente, nas obras sem título, em que não nos é dado nenhum auxiliar interpretativo das mesmas, podemos também calmamente repousar o olhar; é um apelo à nossa imaginação, à nossa criatividade e ao mesmo tempo um pedido que nos tornemos observadores recriadores, num entrelaçamento entre desejo e sonho. Desta forma devolve-nos o artista a nossa própria liberdade, dando-nos espaço de questionamento. A beleza sempre se encontra na interligação entre a obra e o olhar do observador, não depende unicamente da obra.

O desafio está perante nós ...

Teresa Almeida Rocha

2017

 

(...) Não é a primeira vez que nos encontramos com a obra de Carlos Barão em Coimbra, pois que já o vimos em duas exposições individuais na Galeria7 em 2011 (Em Trânsito) e em 2012 (Estruturas).

A exposição que aqui nos traz conta com 10 recentíssimas obras do pintor que, na sua expressa maioria (todas menos uma, Sem Título, de 2011), deriva de uma matriz temática especial: a paisagem. Mas a paisagem de Carlos Barão é um panorama fictício, planeado como um acontecimento impetuoso e inquietante que nos permite realizar várias leituras, embora todas muito presas à densa linguagem pictórica que nos indica os caminhos interrompidos apenas pela delimitação das imagens que terminam onde as telas se acabam.

Do conjunto das peças expostas em Coimbra sobressaem várias ideias, relacionadas todas com o visível e com a fantasia que, por sua vez, nos reporta para um mundo-outro onde apesar de tudo nos adivinhamos, se nos deixarmos levar através dos caminhos percorridos pela tinta que se passeia, que cai, que se atira activamente contra a tela, que se deixa misturar em enamoramentos feitos de tonalidades que aquecem nos focos de fogo e de terra.

Para além das alusões ao visível e ao fantástico, este grupo também nos relaciona com a expressão e com o gesto que se adivinha por detrás dos pontos de cor plana ou miscigenada, nos fios de tinta que indicam o percurso da mão do pintor, e na sua própria acção que conseguimos descobrir porque se mostra nas marcas profundas que o denso acrílico foi deixando nos suportes. Trata-se de um conjunto de acção-pintura, ou de pintura feita de gesto matizado nos fundos e nas superfícies e pelo splash que conseguimos ouvir quando vemos, e que vemos porque se descreve.

Pressagia-se, neste grupo pictórico, a cultura visual de Carlos Barão, profundamente contemporânea. E do conjunto de influências que o pintor recebeu, e que se perfilha de forma lúcida mas muito diluída na sua obra, resultou uma síntese técnica, estética e artística coerente e pessoalíssima, e que se expande através do já amplo e muito reconhecido corpus de obra do autor, modelarmente autenticável porque inteiramente original.

É, por todos estes motivos, imprescindível participar desta experiência visual que Carlos Barão nos oferece, porque somos transportados pela miragem do reflexo da paisagem vermelho fogo na costa (Paisagem # 7 Costa), pela miragem das areias rosas do deserto (Paisagem # 15), pela miragem das nove zonas de uma paisagem flora (Paisagem # 14 Flora), entre as demais miragens que se nos oferecem como propostas de revisão de uma natureza que se diz através desta linguagem pictural específica, sem permissão para uma transcrição verbal que não a faça perder em vocabulário. São exemplos de pintura que não se diz por palavras, de pintura que se expressa através da acção e do som das cores e da mão que perpassa a tela, de pintura que resulta das camadas que o pintor exterioriza porque é feito delas, de pintura que não se conforma com o real mas que se funda nele.

Preguiça Magazine. 30 de Abril de 2014. Exposição no Museu Municipal de Coimbra
Texto de Carla Alexandra Gonçalves. Fotografia de Bruno Pires

 

 

De forma consistente, Carlos Barão tem feito do seu trabalho uma contínua reflexão sobre o papel do inconsciente como fonte de expressão artística. É claro que a este facto não será estranha a sua formação em História da Arte e Psicologia mas, como ele próprio refere, o seu percurso académico ajudou-o apenas a colocar os problemas em perspetiva, tendo sido muito mais interessante e enriquecedor deparar-se com questões inesperadas – “as questões que nascem quando trabalhamos numa tela, dia após dia, em busca de respostas”. (...)

E assim, num jogo de continuidades, as obras surgem, apoiadas umas nas outras, revelando o pensamento de quem as produz. Mas não só, já que cada quadro é, também e assumidamente, um convite para que o observador se envolva na identificação das formas e dos conteúdos que são o reflexo da sua própria vida interior. (...)

Carlos Barão possui uma já vasta obra, mas insiste que cada quadro é como um parágrafo num longo e interminável texto reflexivo. A este respeito o autor chega a afirmar que, se um quadro se assumir como demasiado importante, maior será a nuvem que o encobre e mais difícil será encontrar o caminho a que nos quer conduzir.

Júio M. Vaz, “Carlos Barão”,  Press Release Galeria Miva, Suécia. 2012

 

 

 

Revisito Carlos Barão (...), sinto bem, de novo, a pujança da sua pintura, mas a escala dos seus trabalhos parece ter ganho maior grandeza. E a própria manualidade, como instrumento de pintura, alcança um ritmo mais forte, um feliz encaixe de parentescos, de semelhanças. Até podemos dizer que as sínteses das estruturas cromáticas não se furtam a um leque de constantes proximidades ou graduais concordâncias. A velocidade do fazer retoma anteriores reconhecimentos, uma aceleração cuidada e dominada, embora todos saibamos que tais efeitos são frequentemente relativos em autores deste tipo de expressão. Bons conhecedores do seu ofício misturam habilmente aparências nos tons, na relação entre tintas fundadoras, na força e contraste das presenças onde a representação despojada passa por memórias remotas e talvez por referências indiretas ao valor das atividades lúdicas da infância.

(...) Toda esta força plástica, agora, em plena maturidade, relembra primeiras formas fechadas, fragmentos de escrita remota, autorreconhecimento comparável entre diferentes hipóteses formais, coisas que podem sinalizar, de facto, os primeiros achados do ser e do ver. (...)

Carlos Barão divide menos a superfície. Podemos falar em quadros dípticos em grande parte desta magnífica produção. (...) Por todo o lado há paradoxos fascinantes, mudanças de ritmo (plástico ou narrativo). No seu pleno espaço de expressão, Barão elabora formas através de linhas, tintas como que rasuradas, colagens, manchas de recortes particulares, antropomórficos ou caligrafias narrativas em torno do quotidiano, da família e dos adereços construtivos. (...)

Olhar os quadros de Carlos Barão é reaprender a ver e a exprimir o visível. Cada quadro, onde tudo assim se confunde e identifica ganha em geral a força de um belo espetáculo, camadas de tempo, apelo à criança que existe entro de nós.

Rocha de Sousa, "Carlos Barão. O Parentesco das Coisas",  in Jornal de Letras, Junho 2011

 

 

 

Se insistirmos o suficiente, Carlos Barão fala sobre o seu trabalho, mas a relutância só tem a ver com uma coisa. Segundo ele, por mais que se esforce fica sempre com a sensação amarga de que o mais importante ficou por dizer, apenas restando a clara sensação de que a Arte é uma demonstração do engano que está numa coisa e da verdade que está em todas. (...)

Sem estudos prévios, cada trabalho é absolutamente único; reporta-se a um instante, o instante da construção da imagem. Recorrendo àquilo que chama de “novas manchas projectivas”, o autor começa por distribuir diversas manchas pela superfície de trabalho. Num primeiro momento não vislumbramos relações cromáticas, formais ou estéticas entre os elementos que estão na tela; contudo, lenta e progressivamente, começamos a observar que se vão estabelecendo diálogos entre as partes envolvidas, como se as ideias soltas estivessem a organizar-se para formar um pensamento completo. Surgem formas familiares que se afirmam individualmente ou, em alternativa, estabelecem com outras formas um cada vez mais forte e evidente diálogo. Evocando figuras simples, arquétipos até, muitas vezes inspiradas na crua e objectiva percepção da infância, as composições emergem e tornam-se invariavelmente chamativas. Em cada surpresa há uma revelação, há uma tomada de consciência. (...)

Carlos Barão, convidando-nos a um breve abandono do pensamento lógico, formal, paradigmático, sugere que passemos ao pensamento narrativo, mais próximo do que apelidamos de contemplação. É então, não sem o estranharmos, que cada imagem vai sugerindo que a envolvamos com a nossa própria experiência. Nesse instante, por um instante, há um “amor acrílico - a obra faz parte de nós e nós fazemos parte da obra. "

Manuel Vieira, "Amor Acrílico", Press Release Galeria7, Coimbra. 2011

 

(...) Carlos Barão tem sabido mergulhar nos processos de autorreconhecimento, trazendo para suportes convencionais as linhas, arabescos, formas indecifráveis, objetos comuns que parecem apresentar e dar-nos a ver materiais da memória, (…) escritas remotas, coisas que sinalizam a infância, um mundo que já foi e que vem até nós de muito longe, do côncavo do lago espesso onde se encontrava. Há uma imagem complementar que nos ajuda a perceber o processo: é a imagem de alguém que mergulha o braço naquela água, até ao ombro, e de lá vai repescando detritos da vida e das coisas, formas desprendidas e rotas, fios, papéis. (…) No seu pleno espaço de expressão, ele elabora formas através de linhas, tintas como que rasuradas, colagens, manchas de recortes particulares, antropomórficos, ou caligrafias narrativas em torno dos personagens do quotidiano, da família e dos adereços construtivos. (…) Cada quadro, onde estes elementos se identificam e logo se desvanecem ou são encobertos por outras camadas de tempo, constitui em geral um espetáculo de grande efeito expressivo, o apelo à criança que existe dentro de nós em vez do luxo verista de certas representações. (...)

Rocha de Sousa, "Carlos Barão. Escritas Remotas", in Jornal de Letras Abril 2009.

 

 

 

As narrativas incompletas que o pintor Carlos Barão executa através de pequenas partes de um texto mais extenso, congelam um determinado momento que suspende o espectador mais distraído. Resgatando referências ou escrevendo frases perdidas o autor parece querer contar uma história que transcende a sua própria vida. Consequentemente, o espectador destas imagens tenta acabar a história suspensa com as suas próprias referências e memórias. As frases e os objectos são complementados por vidas estranhas à do seu autor. Este desfasamento entre a imagem e a sua significação parece residir no foro individual e intransmissível de cada um. (...)

As pinturas de Carlos Barão tratam de uma linguagem aparentemente inacessível, como um sentimento de algo íntimo e estranho (...). Ao simplesmente apresentarem - e não representarem - objectos do dia-a-dia, parece que cada uma das obras pictóricas enuncia uma recordação de infância perdida, de difícil acesso. Enquanto a representação sugere uma memória colectiva, a apresentação atinge e fere a memória individual. Deste modo, ao reflectirem sobre o reconhecimento pessoal dos objectos que nos acompanharam na infância, as pinturas de Carlos Barão encenam o que de mais primordial ocorre na nossa relação com cada objecto enunciado: a dor e o prazer da perda e do reencontro. (...)

O diálogo entre pinturas e espectador não é nem óbvio nem directo. As narrativas pictóricas não são lineares, nem tão pouco o acesso às memórias individuais. Em suma, as pinturas de Carlos Barão são, por um lado, narrativas familiares na medida em que reconhecemos os objectos e as histórias representadas mas, por outro lado, são estranhas na medida que cada espectador e a natureza própria das pinturas dificultam o acesso à memória que tentam anunciar: sentir algo estranhamente familiar.

Hugo Dinis, "Algo Estranhamente Familiar", in Catálogo Gal. P. Serrenho, 2009.

 

 

 

Para não me alongar nem desviar da essência, pretendo unicamente referir que considero a obra soberba, bem resolvida, ajustada na composição e com uma temperatura de cor absolutamente sedutora.

(…) Vejo quadrículas cheias de elementos, estradas, construções, um muro, um quadrado e um cubo, letras e textos, símbolos e números. Vejo um caminho e flores. Vejo uma criança com a cabeça grande e o cabelo desgrenhado, uma figura com as mãos abertas, uma senhora de grandes peitos. Vejo uma casa e um lago, outra criança irmã da primeira passa a correr. Vejo linhas e atmosferas, sangue e vida..

Sim, vejo tudo isto, sabendo Carlos que a tua obra é absolutamente abstracta, que não precisas de referentes, que preferes a busca pela surpresa, pelo acontecimento plástico, pela aventura da solução, pela consolidação de uma linguagem única e pessoal.

Querido companheiro e amigo o que dizer perante a tua obra? Para mim é um deleite e uma lufada de ar fresco (…). Ao trabalho, continua pintando com aquilo que se deve pintar – com as entranhas!

José Manuel Ciria. “Carlos Barão ou a Pintura Arrancada do Estômago (Breve aproximação com afecto aos seus últimos trabalhos)”. In Estádio, 2005

 

 

PAISAGEM – O ELOGIO DA SOLIDÃO

Existe toda uma gramática da Pintura de Paisagem, um conjunto de elementos que a sugerem e nos permitem reconhecê-la enquanto tal. Esses elementos podem ser apresentados de forma explícita se o entendermos, mas essa não foi a opção para o conjunto de trabalhos apresentados. A questão sempre presente nesta pesquisa, pessoal e sistemática, foi antes a de averiguar em que medida se pode comprometer ou manter uma dada pintura dentro do género de pintura de paisagem, com tudo aquilo que verdadeiramente uma paisagem nos evoca e faz sentir.

O que é uma Pintura de Paisagem?

Quando é que uma Pintura de Paisagem deixa de o ser?

O que acontece se alterarmos as regras, se introduzirmos a ambiguidade, se esticarmos ao limite a noção de Paisagem?

 Pintura e Paisagem surgem lado a lado na história da Arte. Nesse sentido, esta exposição procura abordar o tema assumidamente, mas recusando a habitual reprodução mimética da Natureza. Os elementos tradicionais do tema, sugeridos em cada tela, combinam-se numa reconstrução do mundo próxima da abstracção, procurando, assim, reflectir sobre a forma como a concepção clássica do tema pode dialogar com a premissa de que a pintura não retracta a realidade, servindo-se antes dela para desenvolver uma ideia.

 Há mais de um milénio, a cultura chinesa compreendeu a importância deste género pictórico, fazendo dele a máxima expressão dos princípios taoísticos da comunhão do homem com a natureza. A composição, toda ela construída para induzir à contemplação, seguia a regra geral de divisão do espaço em duas ou três partes ou planos e, principalmente nos tempos fortes do império, utilizou-se a monumental composição vertical. A observação gerava fácil reconhecimento; contudo, a frequente introdução de zonas de nevoeiro, espaços literalmente vazios na pintura, abria portas à imaginação e permitia ao observador idealizar uma composição ainda mais próxima da sua realidade e expectativas. A liberdade de interpretação e apropriação da Arte já lá estava muito antes de começarmos a falar dela.

Mas, se para a pintura chinesa a Paisagem valia por ela mesma, para os gregos e romanos a Paisagem servia apenas para enquadrar uma cena principal. Mesmo na Idade Média e no Renascimento foi somente utilizada como suporte para representar o divino. É só no século XIX que o tema deixou de estar subalternizado na cultura ocidental e alcança o estatuto de género. A Natureza é dessacralizada e passa a ser objecto de um olhar mais atento e esclarecido. Numa abordagem mais naturalista, estudam-se as estações do ano, a geologia, a fauna e a flora. Progressivamente, a Pintura de Paisagem vai revelando tiques de novo academismo e, como todos os academismos, foi-se formatando - imperava o escalonamento de planos (sugerindo diferentes graus de profundidade) e a inclusão de objectos familiares; e tudo o que contrariasse estes pressupostos estruturais era desconsiderado, pois iria afastar-se do expectável e confundir o observador. O pintor confundia-se com o “ilusionista” e o observador era visto como um agente passivo, buscando a beleza institucionalizada, previsível, confortável. O desconforto espacial e mental provocado por qualquer dissonância era penalizado pelo público e pela crítica e apenas o virtuosismo permitia alguns atrevimentos, mas sempre envoltos no rótulo alargado da extravagância.

Contrariamente ao que se poderia inicialmente pensar, com a arte contemporânea a Arte não se afastou da Natureza, apenas a começou a utilizar em vez de a representar. A paisagem é transportada para arte; é seu referencial para a composição e reflexão estética, assim como elemento preponderante de auto-reflexão. A Pintura de Paisagem é cada vez mais um acto de criação em que o autor se implica. As pistas deixadas pelo pintor são cada vez menos óbvias, o terreno para a imaginação e para a memória volta a ser fértil. O Homem questiona a sua relação com a Natureza e o Território.

  O círculo completa-se, diríamos nós - mas continua a expandir-se, já que, independentemente dos tempos vividos e das formas de representação escolhidas, este género artístico sempre nos remeteu para a plenitude da vida, dando forma a estados de espírito e revelando a mais inesperada das solidões, a nossa.

 Em suma, a Paisagem é um acto de criação, um gesto activo de visualização em que tanto criador como observador se implicam intelectual e emocionalmente, atribuindo-lhe beleza e sentido. E se nos detivermos o tempo suficiente, ela leva-nos a passar da pura contemplação à evocação. Os nossos olhos começam, lenta e progressivamente, a deixar-se ficar pelo horizonte, parando de deambular pela epiderme da Terra. Olhamos para aquém ou além do agora. Estáticos e muitas vezes nostálgicos. É como um súbito regressar a casa; uma breve e familiar experiência de recolhimento. Estamos connosco e o que interessa já lá está, à nossa frente, inscrito em nós.

Carlos Barão (texto para catálogo da exposição, Galeria Valbom, Lisboa, 2014)

  

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